Durante o mês de setembro voltamos ainda mais nossa atenção a um tema importante em nossa sociedade: o suicídio. Além disso, também é o mês em que comemoramos o Dia do Médico-Veterinário. Mas qual será a relação entre setembro amarelo e medicina veterinária?

De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMVPB), os médicos-veterinários são os profissionais com o maior índice de suicídio no Brasil, e uma das causas para isso pode ser a Síndrome de Burnout.

O termo “burnout” vem do inglês “queimar por dentro”, ou seja, é uma sensação de sofrimento interno, cobrança em excesso, esgotamento mental, estresse, ansiedade e baixa autoestima. A síndrome é silenciosa e vem de situações no dia a dia que negligenciamos por achar fazerem parte da rotina, mas que “queimam internamente” até que os sintomas físicos, depressão e/ou pensamentos suicidas aparecem.

Podemos dividir os sintomas em três grandes blocos: Ocupacional, Psicológico e Fisiológico:

É importante ressaltar a maior diferença entre Síndrome de Burnout e Depressão: ambas patologias possuem sintomas parecidos, no entanto, Burnout está sempre relacionado ao trabalho, seja o ambiente ou as atividades laborais.

O principal tratamento é a psicoterapia e, em casos mais graves, com uma equipe multidisciplinar: psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde, como fisioterapeutas e gastroenterologistas.

Em 2019, a Associação Brasileira de Veterinários levantou algumas hipóteses dos motivos porque esses profissionais são tão acometidos pelo esgotamento mental, sendo algumas delas as péssimas condições de trabalho, dificuldades relacionais e interpessoais, falta de foco, questões psíquicas da formação do profissional, culpa, medo de errar, cobrança constante para sempre estarem disponíveis, captação e consolidação de clientes, relação com a dor do animal e da família e eutanásia legalizada, entre outras questões. Sobre essas duas últimas temos o desdobramento para a fadiga de compaixão.

No Brasil, a fadiga de compaixão é ainda um assunto pouco discutido. Ela se caracteriza pela tensão decorrida de situações de grande estresse vivenciadas por cuidadores, gerando excesso de preocupação com o sofrimento alheio e levando a comportamentos autodestrutivos, como o uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas. Um dos agentes causadores tanto da Síndrome de Burnout quanto da fadiga de compaixão é o método de eutanásia utilizado em animais.

Os graduandos de Medicina Veterinária saem da faculdade com a missão de cuidar. São eles que estreitam os laços de confiança e estabelecem a comunicação entre animal e seu dono. Imagine o peso da responsabilidade desse mediador que, às vezes, precisa ser o porta-voz do adeus e ter o poder da vida e da morte em suas mãos.

Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, até o ano de 2020, o Brasil contava com cerca de 154 mil profissionais da área. Com a pandemia do novo coronavírus, as doenças psicológicas se intensificaram. Apesar do ramo de pets ter ficado mais evidente e do número de adoções de animais aumentarem, a crise econômica decorrente do momento intensificou a crise emocional. Muitos desses 154 mil veterinários se sentiram esgotados mentalmente. Por isso, a conscientização sobre saúde mental é primordial tanto para os estudantes quanto para os profissionais já formados.

Respeitar os momentos de descanso é primordial para o bem-estar. Existem também vários canais de ajuda, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), a ONG mais antiga do país, que atende pelo número 188.

Vale lembrar que o cuidador também precisa de cuidado, pois o cuidar de si também é cuidar do outro.

 

Referências: