Aprenda as diferentes classificações das pragas e como lidar com esse risco aos animais

A presença de insetos e pragas em alimentos pet significam um risco tanto físico quanto microbiológico para o animal e seu proprietário, gerando um efeito repulsivo para o consumidor.

Estes seres indesejados podem ser comuns no Brasil por conta da temperatura e umidade relativa do ar, apresentando condições ideais para seu desenvolvimento.

A presença de besouros, larvas, mariposas e outras pragas pode ter diversas origens, indicativas de falha no processo de higienização e limpeza, dedetização e modo de armazenamento de produtos.

As principais pragas presentes nesse meio são divididas em dois grupos: Coleóptera (composta por besouro, carunchos e gorgulhos) e Lepidóptera (composta por borboletas e mariposas).

Classificação das pragas

Praga primária interna: são aquelas que atacam grãos sadios (como milho, trigo etc.), rompendo a casca e se alimentando do conteúdo interno. Nesta classificação as pragas possuem mandíbulas desenvolvidas para perfuração e completam seu ciclo dentro do grão.

Praga primária externa: se caracterizam por se alimentar da porção externa do grão, podendo atacar a parte interna deste após rompido ou fragmentado.

Praga secundária: diz respeito às pragas que não rompem a casca de grãos sadios, atacando somente grãos danificados ou já atacados pelas pragas primárias.

Veja abaixo as principais espécies:

1. Besouro do presunto - Necrobia rufipes.

Praga classificada como secundária, se alimentando de produtos preferencialmente proteicos como carcaças de animais, queijo, couro, embutidos, farinhas de ossos, carne e vísceras.

As embalagens de alimentos não são barreiras para esse tipo de praga, pois conseguem facilmente as perfurar. Vive em locais onde existe infestação, sendo comum observar a presença de substâncias brancas em frestas de paletes, gôndolas de exposição e caixas de papelão. Sua presença pode indicar falha de higienização da loja ou até mesmo falha na produção de algum alimento pet.

Ciclo de vida: Seu desenvolvimento pode durar de 30 a 100 dias, chegando a eclodir de 50 a 200 ovos. Seu tempo de vida é de até um ano, com condições ideias de temperatura de 30°C e 70% de umidade.  Na fase larval possuem coloração marrom com riscos mais escuros, na fase adulta se transformam em pequenos besouros de coloração azulada que são capazes de voar, mas preferem andar, já que possuem hábitos noturnos.

2. Traça de cereais - Plodia interpunctella

Considerada uma praga primária externa e muito comum em regiões tropicais e subtropicais, é encontrada em praticamente todos os farelos e subprodutos (vegetais desidratados, farináceo, leite em pó, chocolate, rações e castanhas). São insetos extremamente comuns em indústrias, lojas e residências. Se alojam em frestas e são mais perceptíveis em baixa luminosidade.

Ciclo de vida: O desenvolvimento desta praga dura em média 36 dias, chegando a eclodir de 100 a 500 ovos. O tempo de vida varia de uma a duas semanas, desde que apresente as condições ideais como temperatura de 30°C e 70% de umidade.

Suas larvas conseguem penetrar em determinadas embalagens, produzindo grande quantidade de teias de seda. Como na fase adulta são pequenas mariposas, tendem a evitar a luz, voando principalmente à noite.

3. Besouro vermelho da farinha - Tribolium spp.

Classificados como pragas secundárias, os besouros vermelhos da farinha são mais conhecidos em regiões tropicais. A espécie Tribolium castaneum é dominante em climas quentes, possui maior representatividade no país. Podem estar presentes em farelos e farináceos, mas também podem ser encontrados em madeiras e cascas de árvores.

Este besouro apresenta capacidade de voo, embora curtos e irregulares.

Ciclo de vida: dura em torno de 24 dias, chegando a eclodir de 400 a 600 ovos, ou seja, de seis a doze por dia, durante vários meses. Seu tempo de vida é de até um ano, quando apresentadas as condições ideais de temperatura em 35°C e 80% de umidade.

Apresentam alto potencial de perda de produtos porque tanto as larvas quando os besouros (fase adulta) podem penetrar em embalagens.

4. Besouro de fumo - Lasioderma serricorne.

São classificados como pragas primárias externas, mundialmente difundidas em ambientes industriais. Acredita-se que sua origem fora como praga do fumo, porém essa se adaptou rapidamente em produtos armazenados, alimentando-se de farelos, farinhas e subprodutos de qualquer tipo.

Ciclo de vida: Seu desenvolvimento dura em torno de 26 dias, chegando a eclodir 100 ovos. Seu período de vida é de no máximo duas semanas, respeitadas as condições ideais de temperatura em 30°C e 70% de umidade.

Independentemente de sua fase, essa praga facilmente perfura e penetra embalagens alimentícias, sendo que sua fase adulta consiste em pequenos besouros que buscam ambientes escuros, possuindo ampla capacidade de voo e preferindo voar a noite.

São encontrados em residências, lojas e indústrias.

Como lidar com as pragas?

Muitas vezes a presença das pragas citadas acima pode se dar por falta de higienização periódica da loja ou mal controle de pragas do local, como também contaminação oriunda de algum produto com falha em seu processo produtivo. A atenção do lojista e de seus colaboradores para este tema é importantíssimo, já que podem acarretar diversos prejuízos para o estabelecimento.

As pragas podem não apresentar riscos caso sejam ingeridas por algum animal, mas carregam bactérias ou outros agentes que podem causar alguma alteração nos pets, e além de tudo danificam embalagens, que são responsáveis pela conservação apropriada do produto.

Ao verificar a presença de alguma praga, é importante descobrir sua origem para então tomar as devidas decisões.

Caso a contaminação ocorra devido a algum produto trabalhado dentro da loja, deve-se entrar em contato com a empresa responsável e seguir suas orientações.

Caso seja contaminação por falha no processo de higienização da loja, é importante contratar uma empresa responsável pela higienização e dedetização. Algumas pragas podem ser difíceis de eliminar sem assistência especializada. Além disso, alguns praguicidas utilizados sem critério podem contaminar os produtos dentro da loja e, consequentemente, os animais que tiverem contato com estes.

Devemos lembrar que as pragas estão presentes em todos os lugares, e cabe a nós termos boas práticas de higienização e organização para realizar o controle, de forma a preservar a qualidade dos produtos comercializados e a segurança de nossos clientes e seus pets.

Para saber mais, acesse o Guia: MELHORES PRÁTICAS PARA O CORRETO ARMAZENAMENTO DE ALIMENTOS PET.