Uma nutrição adequada e a melhora dos cuidados veterinários com os cães e gatos permitem que os pets vivam mais e com melhor qualidade de vida.

A expectativa de vida dos cães e gatos vem aumentando com o passar dos anos. Cães de pequeno porte, que antigamente tinham uma expectativa de 10 anos, hoje podem chegar aos 18 anos. Os de grande porte, que sempre viveram em média 7 anos, conseguem atingir uma média de 13 anos. Esse tempo de vida é relativamente menor para os cães de raças grandes provavelmente por influência de seu tamanho corporal, pelo crescimento na fase inicial da vida, algumas desordens esqueléticas ou nutricionais e pelo cruzamento entre raças. Cães de raças mini e pequenas podem ser considerados idosos a partir dos 10 anos, enquanto os de raças médias a partir dos 8 a 9 anos e de raças grandes e gigantes entre 7 e 8 anos.

Já os gatos, quando são criados dentro de casa - sem risco de atropelamentos ou envenenamentos - podem chegar a uma média de vida de 20 anos. Há relatos de gatos que viveram até os 31 anos. Os gatos saudáveis são considerados seniores quando atingem 8 anos e geriátricos a partir dos 10 anos de idade.

É importante ressaltar que o envelhecimento não é uma doença, e sim uma consequência natural da influência do tempo em cada animal.

A longevidade se deve a vários fatores, sendo o principal deles a humanização dos pets, que induz um aumento dos cuidados veterinários como vacinação, vermifugação e identificação precoce de doenças. Um ponto muito importante e que está intimamente relacionado à longevidade é a melhora da nutrição dos pets. Uma nutrição adequada desde a fase inicial da vida, com níveis ideais de proteínas, minerais, vitaminas e DHA, permite um desenvolvimento saudável, proporcionando que se atinja as fases adulta e senil com maior vitalidade.

A nutrição para os animais seniores é formulada com níveis balanceados de nutrientes essenciais, com o objetivo de impedir o início ou retardar a progressão das doenças relacionadas a essa fase, melhorando distúrbios de saúde, mantendo o peso corpóreo ideal, proporcionando maior qualidade de vida e, se possível, aumentando a expectativa de vida. Um alimento industrializado dry ou wet, bem como uma dieta caseira formulada e balanceada para esta fase da vida, podem trazer inúmeros benefícios.

Toda a energia do alimento oferecido deve ser cuidadosamente controlada. Cães na fase senil apresentam uma queda da necessidade de energia se comparada à de filhotes e adultos. Os gatos seniores apresentam uma queda de necessidade de energia, diferente dos gatos geriátricos, que necessitam de maior quantidade energética para suprir a incapacidade de ingerir as quantidades ideais de calorias e nutrientes. Esse controle é importantíssimo para se evitar a obesidade, uma doença bem comum em cães e gatos idosos.

A gordura inclusa na dieta desses cães e gatos deve ser altamente digestível e aproveitável pelo organismo. O uso dos ácidos graxos essenciais, como os ômegas 3 e 6, auxiliam como anti-inflamatórios, ajudam a absorver os nutrientes e oferecem a fonte de DHA, para melhorar a função cognitiva. Importante salientar que a gordura também serve como palatabilizante, tornando o alimento mais agradável ao pet idoso, que pode apresentar nessa fase um apetite mais seletivo.

A proteína é um nutriente muito importante para os idosos, pois nessa fase os animais podem perder massa magra, podendo prejudicar outras reações do organismo. Muito se fala sobre a contribuição da proteína no desenvolvimento de doença renal crônica (DRC), porém uma proteína de boa qualidade e com um bom perfil de aminoácidos para animais saudáveis não é responsável pelo surgimento dessa doença. É importante ressaltar que as proteínas fazem parte dos anticorpos e do sistema de defesa dos animais, então nessa fase é imprescindível que o sistema imunológico funcione adequadamente.

O uso de antioxidantes também é muito válido! São eles que combatem e eliminam os radicais livres nas células, responsáveis pelo envelhecimento celular. A vitamina C, vitamina E, carotenoides, beta-caroteno e a luteína, ajudam a melhorar o sistema imunológico do animal. Os prebióticos e os beta-glucanos também são recomendados nas dietas de cães e gatos idosos.

Para essa fase, é importante realizar a redução do fósforo na dieta, a fim de promover um maior equilíbrio entre cálcio (Ca) e fósforo (P). O fósforo está intimamente relacionado com a DRC, então diminuir a relação CA:P e manter o P para pacientes seniores saudáveis entre 0,25 a 0,75% na matéria seca permite um maior cuidado com a saúde renal.

A saúde oral dos pets idosos também deve ser levada em conta, principalmente porque muitas doenças podem ser oriundas de uma infecção oral. Alguns produtos no mercado podem conter, por exemplo, o hexametafosfato de sódio (na ração seca) ou tripolifosfato de sódio (em sachês ou patês), que são um quelante de cálcio, responsável por minimizar a formação do cálculo dentário (tártaro). A própria ração seca contribui através da ação mecânica na redução/formação do tártaro. Lembrando que algumas rações podem apresentar no grão uma adaptação, chamada de “ponto de quebra”, que auxilia na mastigação e na quebra do grão quando o animal se alimentar. Os alimentos úmidos, como os sachês e patês, também contribuem nessa fase, por serem mais palatáveis e facilitarem a mastigação, ajudando muitos animais idosos que já perderam os dentes.

Assim, conclui-se que a nutrição pode influenciar muito na qualidade de vida e na expectativa dos nossos pets, e que uma adequada nutrição, conjuntamente a todos os cuidados veterinários, pode permitir que tenhamos uma vida mais longa ao lado dos nossos pets.