Alguma vez você foi escolher aquela roupa que mais gosta e ela estava cheia de pelos? Com a humanização e a domesticação dos animais, tornou-se frequente a situação de encontrar pelos por toda a casa. Mas será que isso é normal?

Diariamente, cães e gatos acabam perdendo pelos. Naturalmente, da mesma forma que eles perdem, os novos nascem, e assim se completa um ciclo. Porém, é necessário entender até que ponto isso é fisiológico, ou seja, natural.

Os principais sintomas da queda excessiva de pelos são o surgimento de pelos secos ou quebradiços e algumas áreas com falhas na pelagem, podendo ser em lugares específicos ou difusas por todo o corpo. Hoje em dia a pelagem é o ponto mais visado nos pets, refletindo o quão saudável está esse animal.

Dentro do processo fisiológico de crescimento dos pelos, existem várias ações do corpo que precisam estar em constante equilíbrio, principalmente a relação de proteína ingerida, já que grande parte da composição do pelo é feita desse macronutriente, que auxilia também na renovação da barreira da pele. Dentro dessa categoria temos uma gama enorme de fontes, mas as mais utilizadas na indústria pet food são a farinha de vísceras de frango, o ovo integral em pó, a proteína isolada de soja e o glúten de milho 60.

A proporção de ácidos graxos essenciais, principalmente os conhecidos como ômega 3 e ômega 6 também precisa estar balanceada. O termo essencial implica justamente na necessidade real de suplementar o animal, pois os mamíferos possuem capacidade limitada de sintetização destes componentes. A importância da suplementação de ômegas na alimentação é um fato indiscutível, visto que a principal função deles é auxiliar na saúde da pele e da pelagem, juntamente com importante ação anti-inflamatória. Além disso, o ômega 3 auxilia também na saúde cardíaca, e tem importância significativa no sistema cognitivo dos filhotes.

Quando falamos em ômega 3 e 6, temos diversas fontes disponíveis no mercado, mas com o crescimento da indústria de alimentos pet, a qualidade de seus produtos também vem aumentando, então é importante escolher alimentos de qualidade e com fontes nobres de ômegas, tornando a conversão e absorção desses nutrientes mais efetiva. Fontes nobres de ômegas, como farinha de algas e gordura de frango, favorecem o melhor aproveitamento das vitaminas A, D, E e K, essenciais para o funcionamento correto do organismo.

Depois de toda a suplementação, precisamos identificar qual é a fonte da queda de pelos, definindo se é fisiológica ou patológica.

A queda de pelos fisiológica

A denominada fisiológica é a queda natural dos pelos, onde eles crescem, envelhecem e depois de um tempo caem naturalmente. Existe também a queda sazonal, que normalmente ocorre perto do outono, época de maior reclamação dos tutores.

Uma das alopecias que é considerada ‘não-inflamatória’ por não ser patológica nem fisiológica, é a alopecia pós-tosa, que se caracteriza pela queda de pelos em regiões onde foi realizada a tosa. Nesses casos, os folículos dos pelos entram em um estado de ‘dormência folicular’ e demoram semanas ou até meses para voltarem a crescer. Dessa forma, a escovação também é essencial para evitar a queda e fortalecer o crescimento de novos pelos, além de auxiliar na retirada de pelos mortos que podem vir a cair e, por fim, estimular a pele a produzir óleos para manter os pelos bonitos e mais resistentes.

Você com certeza já ouviu algum colega dizer que seu cão solta pelos o ano todo. Pode parecer curioso, mas pets que têm maior contato com fontes de luz artificial também podem apresentar maior volume de queda de pelos.

A queda de pelos patológica

Além da queda fisiológica, temos a queda patológica, também chamada de alopecia. É normalmente é a mais complexa pois existem diversos fatores que a influenciam, sendo necessário identificar sua origem e tratá-la da melhor forma.

As causas mais comuns para a queda patológica são as alimentares, desde má qualidade de nutrientes na dieta até alergias alimentares. Doenças endócrinas, estresse, xampus não adaptados para a pele e pelos, assim como banhos em excesso também podem ser um problema. Ectoparasitas, como as pulgas e ácaros, também podem causar um estrago maior que o imaginado.

Além de todas as funções estruturais e metabólicas das proteínas, como falamos acima, precisamos lembrar também que no quesito pele, alguns animais acabam adquirindo de forma genética uma intolerância a alguns ingredientes, principalmente derivados do leite, ovos, trigo, proteínas oriundas do frango, salmão ou carne bovina, entre outros.

Como forma de proteção, o corpo acaba interpretando esses alimentos como uma ameaça, e produz de forma exacerbada anticorpos específicos e substâncias que causam coceira e inflamação. Alguns animais podem ter essa hipersensibilidade alimentar concomitante com afecções na barreira cutânea, pois a reação é tão grande que acomete até a proteção da pele.

Outro ponto a se preocupar quando conversamos sobre queda de pelos patológica são as afecções que podem surgir devido a uma reação de hipersensibilidade, não apenas alimentar, mas também cutânea, como a dermatite atópica. Essa dermatopatia se estabelece em cães geneticamente predispostos, é de alta incidência, crônica e recorrente, e por sua causa genética não existe uma cura, somente controle dos sinais clínicos. Ela ocorre quando há uma falha na barreira cutânea onde todo e qualquer alérgeno externo provoca uma reação exacerbada de antígenos específicos pela inalação, ingestão ou contato.

É preciso analisar mais de perto como está o aspecto dos pelos de seu animal. Sinais de processo inflamatório, como coceira e vermelhidão, podem ser um alerta para problemas fúngicos ou infecções bacterianas secundárias. Por isso tem-se importância uma avaliação dermatológica adequada. 

Alguns estudos relataram que animais só começam o tratamento dermatológico após dois anos do início dos sinais clínicos, devido à complexidade na identificação dos sinais. Por esse motivo, é de suma importância fornecer alimentos de qualidade, ricos em fontes nobres de ômegas e proteína de alto valor biológico. Animais que possuem problemas alérgicos, atopias ou quedas excessivas de pelos necessitam de cuidados específicos, com o acompanhamento de um médico-veterinário de confiança. Lembre-se que manter uma rotina de frequentes visitas ao veterinário permite identificar logo a causa e iniciar o tratamento o mais rápido possível.